16 de set de 2014


                 
                                                       As Sombras

          Num dia qualquer. Desses em que nós nem sabemos qual estação do ano estamos, pois temos dias em que as quatro estações se apresentam.
Estava caminhando pela Rua da Praia, dia este que estava com calma em meu ser, afinal estamos cada vez mais correndo, sem tempo para observar o que acontece ao nosso lado.
          Comecei a olhar com mais atenção às pessoas que caminhavam em minha direção, mas também aquelas que estavam no mesmo sentido que o meu aí me veio à mente, por lapso de tempo, a minha idade juvenil, onde as pessoas que passavam pelas outras, olhavam nos olhos dos outros e cumprimentavam com um simples bom dia ou boa tarde e hoje verifico que os que passam por nós são simplesmente e nada além de Sombras, sem nomes, sem relação humana alguma.
           Entendo que a vida moderna nos faz estar na correria, afinal nos deixamos ficar escravos do relógio, das regras impostas pela própria engenharia do trabalho, pela frieza do compartilhar e de enxergar ao outro.
Será que a humanidade caminha para a insanidade multisocial?
            Até porque acredito que o ser humano sozinho não consegue se completar por inteiro e não conseguirá seguir caminhos a ele imposto por diversos fatores alheios a sua vontade e capacidade de resolvê-los só.
           Acredito que deveríamos prestar mais atenção alguns valores que estão se perdendo ao longo do tempo, estamos ficando mais egoístas, mais individuais, mais frios e mais insensíveis.
            Na verdade precisamos acolhimento, mais carinho, mais atenção, mais motivações, mais respeito, resumindo mais “humanidade”.


                                  Paulo Hermes Pompeu Teixeira